Josie Ferret

“Quero vender um imóvel, mas já reduzi o preço mais de uma vez e não aparece comprador. Devo esperar por um aquecimento no mercado ou vendo agora?”

Primeiramente, é importante ter em mente que toda análise econômico-financeira, em especial nos casos que envolvem o mercado imobiliário, deve ser elaborada de acordo com o perfil específico de cada investidor, a qual engloba diversas variáveis como objetivos, prazos, necessidades pessoais ou familiares.
No caso específico de imóveis, diversos fatores devem ser levados em conta em uma recomendação mais apurada. Além do estado de conservação, formas de pagamento, padrão de acabamento, acessibilidade e número de cômodos, entre outros, o conhecimento da exata localização do imóvel é condição fundamental.

“Devo aguardar um aquecimento mais categórico do mercado imobiliário, pois estou encontrando dificuldades para vender meu imóvel, ainda que tenha reduzido o preço reiteradamente?”

Neste contexto, não podemos deixar de avaliar a possibilidade do imóvel ser alugado, quando disponível, e dependendo da necessidade de venda, pelo menos enquanto a transação de venda não se concretiza. Além disso, é importante observar se o preço pedido está realmente compatível com os preços fechados naquele mercado e, nesse ponto, cabe uma análise de algumas variáveis macroeconômicas que podem impactar diretamente nessa decisão.

Recentemente as taxas de juros reais no Brasil atingiram sua mínima histórica, na esteira da queda contínua das taxas de juros e da inflação. Isso tem efeito imediato na percepção do mercado quanto à facilidade de obtenção de crédito para financiamento imobiliário junto às Instituições financeiras que, por sua vez, vêm ampliando seus programas de financiamento para o setor.

Mercado Aquecido

De acordo com dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC, houve um aumento de 96,1% no lançamento de novas unidades residenciais, em comparação com o trimestre anterior. Na Região Sudeste do país, onde o mercado imobiliário geralmente é o mais aquecido, esse aumento de lançamentos de novos imóveis foi de 209,5% no último trimestre, enquanto na região sul, esse índice ficou em 44,88%.

Embora tenhamos indicadores favoráveis ao crescimento do mercado, a decisão de vender um imóvel deve ainda levar em conta os aspectos psicológicos, pessoais e específicos de cada momento do indivíduo, como por exemplo a necessidade de quitar dívidas mais caras ou a imprescindibilidade de migração de recursos para outro negócio. Nesse caso, deve-se pensar em ajustar o preço pedido, considerando-se o custo de oportunidade de manter um imóvel parado, aguardando a venda.

Michel Cunha é consultor imobiliário e perito avaliador, possui registro no CRECI-SC 30.269, e no Cadastro Nacional de Avaliadores de Imóveis CNAI 28324.
Fontes:
https://fipezap.zapimoveis.com.br

Alta de 96% em lançamentos marca retomada do mercado